5 de Maio de 20xx
As minhas ordens eram de proteger o Andrade, um sniper habilidoso do nosso esquadrão, o novato do grupo. Andrade era um jovem que durante o nosso tempo cá dedicou-se exclusivamente a sua sniper, gostava de exibir o seu talento aos outros, especialmente as senhoras, mas sempre fora 1 bom rapaz.
Estávamos em direcção a uma casa cinzenta, feita com pedras e com um típico ar tradicional campestre, Andrade tinha que eliminar soldados que estavam em posições estratégicas capazes de terminar com muitos dos nossos homens, tal como os que estavam a guardar com metralhadoras pesadas e com morteiros, mas não chegamos a essa casa, acabara de explodir perto de nós, e ao longe ouvia-se uma troca de tiros e gritos, começara o ataque demasiado cedo, não tivemos tempo de posicionar-nos. Mas veio-me algo a cabeça após recuperar da explosão, onde estava o Andrade? Procurei-o a minha volta e vi um corpo, temi o pior ao aproximar. Felizmente ainda estava vivo, apenas inconsciente, mas não podia perder tempo a tratar dele, os outros dependiam de mim, por isso deixei-o entre a relva molhada e corria para a casa com a sniper, sei que não poderia fazer muito mas tinha que tentar.
Já dentro da casa aproximei-me da janela de madeira e preparei-me para começar a disparar, a minha primeira tentativa era de um soldado que estava a dispara o morteiro…
Respirei fundo… disparei… falhei…
Segunda tentativa… falhei novamente… Tinha que respirar fundo e concentrar-me …
Terceira tentativa acertei num soldado, mas não era o meu alvo, apenas um soldado que estava lá perto… noutra altura, talvez tivesse achado piada a tal “falhanço certeiro”…
Preparava-me para o quarto tiro quando reparei que estava 1 camião em fuga, que devido a provavelmente a uma bala perdida ou a estrada estar lamacenta perdeu o controlo e bateu contra uma grande pedra, só tendo tempo de ver uma forte luz proveniente desse mesmo camião.
Ao recuperar os sentidos vi que a base tinha desaparecido e que o nosso esquadrão dirigia-se para o local onde estava, chegando primeiro o Sandro.
“-Estás bem? Perguntou.
“-Sim, só perdi a consciência por uns minutos. Que se passou?
“-Não sei, a base deles foi completamente dizimada!”
“-O ANDRADE??? DEIXEI-O FERIDO AO…” Gritei eu ao recordar-me do mesmo mas fui interrompido pelo Sandro.
“-Calma, tropeçamos nele ao vir para cá e já o enviamos no jipe para um posto próximo, não foi nada de grave.” Respondeu com 1 com 1 ar preocupado, não com o colega mas com a explosão.
“Em que é que estas a pensar? -Perguntei-lhe após um breve silêncio, sabendo já a resposta mas queria saber a sua opinião.
“-Num belo banho, um jantar quente e de reconciliar e passar um tempo com a minha miúda” disse, com um leve sorriso nos lábios, tentando evitar dar a sua opinião, pois sabia que era algo grave mas não queria assustar-me. “-Vamos, hora de regressar.”
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