sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Capitulo 9 – Alguns pensamentos…




1 de Julho de 20xx



Recordo-me de uns dias atrás, quando chegamos à base, aquela alegria, aquele ambiente… Agora não… Eles sabiam o que se tinha passado, houve alguns abraços mas foi de reconforto, pelos que partiram...
Fui para o meu quarto, não queria ver ninguém, não queria saber de ninguém… Adormeci… Sonhei…
Voltei ao meu mundo, aquele tempo em que reunia os meus amigos e fazíamos sessões de videojogos, a batalhar uns contra os outros, mas sempre sem sentir o pesar da perda de um amigo, não, quando isso acontecia soltava-se insultos e gargalhadas. Bons velhos tempos…
Era de madrugada, e tal como o meu humor, estava um dia triste, escuro e a chover. Quando olhei pela janela vi o Sandro com a Sofia, esbocei um pequeno sorriso por momentos, era agradável ver momentos destes, tristezas não eram bem vindas!
Voltei a minha leitura, tinha sempre pouco tempo para ler, logo aproveitava estes pequenos momentos para terminar o livro, estando sempre consciente que quando terminar de ler, irei sentir uma grande tristeza... Era estranho... Era daqueles momentos em que sentimos que estamos a viver aqueles momentos da historia, e quando termina, enfim, o “final feliz” não ajuda, acabou bem mas acabou, acabou as aventuras, aqueles momentos. Como seria aqui? O que seria de nós? Destes tempos? Das relações aqui criadas? Voltaríamos ao nosso mundo? Enfim, voltei a concentrar na leitura, ao menos fazia esquecer tudo por uns minutos.
Começava a anoitecer, aproveitei a pausa da chuva para apanhar um pouco de ar, passei a tarde toda a ler e tinha uma ligeira dor de cabeça. Estava tudo calmo, todos estavam lá dentro, abrigados do frio, mas eu nem me importava, gostava de sentir o vento e olhar lá para cima e ver o céu povoado pelas estrelas, só que hoje via-se pouco devido às nuvens que insistiam em manter o céu ocupado, mas ei, conseguia ver a lua e algumas estrelas, já não era mau.
“Olha ele, aqui tristonho e abandonado…. Se fosse um cãozinho levava para casa”
Virei-me e vi o Sandro.
“Cão vadio aqui, ao contrario do cão com trela que abana a caudinha quando vê a Sofia, e então quando ela começa a chamar Sandrinho, lá vai ele correndo, quase aos saltos, eheh!”- Respondi na “mesma moeda”.
“Bah, estas é invejoso de não ter uma gaja, anti-social do caraças.”
“Pois, donzelas é difíceis de encontrar, especialmente quando não tenho o teu estilo de mauzão mas com o coraçãozinho de ouro, ahah”
“Ai tu… Fora de brincadeiras, necessitas de uma rapariga… E com tanto “peixe” nesta base, ui, é só escolher”- Disse o Sandro.
“Sabes, decidi ficar sozinho, assim não sofro. Por exemplo a Cláudia… Quando desapareceu, foi em paz, sem preocupações, sem medo, sem dor…”
“Bem, é a tu opinião e eu a respeito, mas lembra-te, por vezes é preciso sofrer para perceber o que há de bom na vida, e a Cláudia… Bem, ela nunca tentou. Sabes, se ela tivesse alguém aqui não iria querer partir, iria sim, dar sempre 100% nos combates para poder voltar a essa pessoa, mas não, ela decidiu ficar-se pelos 50% ou menos...”
”Talvez, mas se pensarmos no Nuno, ele sempre deu os tais 100% mas não voltou… e lá está ela, abandonada, “presa” neste mundo sem a pessoa que mais ama…” – Respondi.
“Bem, eu acredito que voltaram a estarem juntos, acredito mesmo nisso, e para eles nunca ficou a duvida “como seria se…”, eles avançaram, agora tu, não sei, temes algo…”
“Enfim, estamos a ficar demasiado lamechas e não tarda vem a dona buscar o cãozito, vamos para dentro”- Resolvi acabar com a conversa.
Voltei para o meu quarto e fui directamente para a cama, sono era realmente a cura para a alma…

Capitulo 8 – Um sorriso…




29 de Junho de 20xx

O sol começava a dar sinal de vida, decidimos avançar, com um misto de medo e ódio, silenciosamente por entre as árvores. Só pensava nos tempos que o pessoal passou com o Nuno e como agora seria diferente… Para trás deixava os amigos e a sua miúda, não, não havia como deixar passar este ódio, guardava-o todo para o combate…
“Base localizada, 700 metros a norte” -disse um dos nossos.
O Sandro deu as ordens, dirigindo-se então todos para as suas respectivas posições.
Estava novamente a cobrir o Andrade, deixei-o ir para um ponto mais alto, mais perto, fica-me a meia distancia, ele quis certificar-se que acertava no maior número possível daqueles sacanas…
Fomos avistados, mas era tarde de mais, já estávamos em vantagem de terreno e começamos a disparar… um… dois… três, quatro, cinco… rapidamente num barulho ensurdecedor iam caindo os inimigos como cai as folhas de uma árvore após esta ser receber um impacto violento. Não falhava, não tinha a sniper, apenas a minha arma regular e a meu desejo de vingança misturado com a adrenalina. Recarreguei o mais rápido possível, o ódio continuava a servir de combustível, noutra altura, noutra situação até poderia sentir pena por eles, eles que nem tiveram tempo para ripostar… Cobardes… Sintam agora a fúria, não em ataques cobardes à distância, mas bem perto de vós…Não sei quanto tempo passou, mas já tinha acabado. Acho que o inimigo nunca tinha sofrido um ataque assim, tão violento, tão rápido, tão preciso…
“Décio, Cláudia, Gomes e Oliveira, verifiquem a área” – Ordenou Sandro.
Fomos cautelosamente verificar a base, as minhas mãos ainda tremiam, não sei se era da adrenalina ou efeito posterior ao de disparar sucessivamente a minha arma…
Ficamos separados, eu fui em direcção do que parecia ser a casa principal, em busca de documentação, o habitual… Encontrei algumas armas e papelada, mas não dei a maçada de ler, estava cansado e demasiado nervoso.
Voltei as minhas velhas questões… porquê? Porquê isto tudo? Quem são eles… Porquê, a palavra que mais se repetia na minha mente… mas não por muito, ouvi um disparo, saí logo da casa em alerta.
Vi que era a Cláudia que tinha encontrado um soldado que tinha escapado ao tiroteio, mas cheguei tarde, ela já tinha sido atingida. Ele estava em fuga mas o Gomes apanhou-o a tempo. Cheguei ao pé dela, enquanto que o nosso médico tentava aplicar os primeiros socorros e vi algo que não esperava, um sorriso antes de lentamente a sua alma abandonar o seu corpo.
Não entendi… Pouco conhecia sobre ela, tinha recentemente chegado ao nosso grupo, e apenas falei com ela por breves minutos numa festa organizada la na base. Será que detestava este mundo, estas batalhas, queria apenas desaparecer, deixar a arma de lado? Mas tal como todos nós, sentia a obrigação de defender os nossos colegas, mesmo que significa-se combater este inimigo... Sim… Estou aqui para defender os meus colegas, os meus amigos e nada mais.
Quando os restantes companheiros juntaram-se a nós e contamos o sucedido, ficamos todos calados por uns minutos, mas não sentíamos a mesma dor ou fúria, como aconteceu com o Nuno, estávamos esgotados e mesmo que tivéssemos a energia, a vingança já tinha sido aplicada
“Bem, acabou-se, vamos voltar, tínhamos outra missão mas após estas perdas, enfim, eles compreenderam! Vamos para o ponto de extracção.”- Finalmente disse Sandro.

sábado, 3 de outubro de 2009

Capitulo 7 – Sentimento de culpa…




x de xxxx de 20xx



“Vamos, vamos, sem tempo a perder, estamos perto do objectivo.”- Ordenou o Neves, o líder do nosso grupo.
Tínhamos como objectivo tomar de assalto uma base aerea de modo a evitar alguns bombardeamentos nos postos avançados, estava escuro e ainda não tinham se apercebido da nossa presença, um feliz golpe de sorte.
“Aguardem aqui um momento, vou verificar a 2ª parte do terreno.”- Avisou Neves.
Detestava-o. Não sei se era por ser um pouco frio connosco ou por simplesmente por ser ele quem a Carla amava... Odiava cada momento que o via junto a ela…
Ainda recordo a primeira vez que a vi, foi nos primeiros dias em que cá chegamos… Foi a época confusa, em que não sabíamos exactamente o que se passava, simplesmente entramos e sem saber como, tínhamos novas memorias, sabíamos o que fazer, como já o tivéssemos feito antes, mas sabíamos que era um mundo novo, era como se tivéssemos recebido novas memorias… Enfim, mas para além da confusão lá estava ela, uma rapariga simples mas no entanto bela, sempre que passava perto dela ficava sem forças nas pernas, paralisado com a ideia de ela poder falar comigo, assustava-me essa ideia, visto não ter a coragem que hoje tenho. Mas “ele” chegará primeiro… O seu carisma a conquistará, duas diferentes personalidades, mas no entanto pareciam um casal feliz.
Suspirei. Neve fez sinal que o caminho estava livre, avançamos então em direcção do hangar e começamos a colocar os explosivos. Tiros. Olhei em redor e procurei cobertura, a nossa sorte tinha-se esgotado, e estávamos mesmo numa má situação má, eram vários adversários e 3 dos nossos tinham sido abatidos.
“Ajuda-me aqui.”- Gritou o Sandro que estava sobre fogo cerrado.
Apressei-me e disparei contra os 2 soldados que estavam na parte superior do Hangar, tendo apanhado 1, mas o outro fugiu, azar o meu, sorte a dele.
“Ok, temos explosivos suficientes, vamos embora, cubram as costas uns dos outros e avancem rápido, mais de 10m aqui será suicídio.”- Alertou Neves.
Avançamos com muita precaução, ainda estávamos sobre fogo cerrado, apesar de não ser muitos soldados, parecia que a maioria dos adversários estavam fora da base, mas nem questionei porquê, queria era sair dali, a missão tinha complicado. Subitamente tive uma dor terrível na perna. Fui atingido. Era mesmo um mau dia… Estava lixado, um dos homens que tinham sido abatidos era o médico, não havia a hipótese de me curar no campo de batalha, tinha de chegar a base rapidamente, mas mal conseguia andar.
“Aguenta-te aí, eu levo-te” – Disse Neves ao largar a arma e pondo-me às suas costas, e então avançamos. Era uma vergonha para mim, a pessoa que mais detestava era quem estava a salvar a vida.
Infelizmente o grupo começou a dividir-se, estávamos com pressa, uma base contra nós era a típica batalha de David contra Golias, mas sem o que seja que David para vencer; eu e o Neves estávamos a ficar para trás, estávamos a andar demasiado lentamente, até que apareceu um soldado. Não. Estávamos lixados. Ouvi um tiro, e cai no chão, olhei para o lado e vi o Neves a desaparecer.
“NÃOOOOO, SEUS SACANAS, FILHOS DA PUTA!!!”- Gritei. Era demasiado tarde para mim, eu era o próximo. Ouvi outro tiro. Estava ainda aqui. Vi o soldado a cair.
“Bolas, devíamos ter esperado por vocês, porra!”-Disse o Sandro. “Anda, eu ajudo-te.”
Em boa hora, era salvo pela segunda vez no dia, mas na minha mente estava uma confusão de emoções, pois apesar do meu ódio por Neves, apesar de pensar que tinha o caminho novamente aberto para ela, sentia uma raiva enorme, pelos adversários, pela morte de Neves, por mim, se não fosse eu… bolas… deveria ter tido mais cuidado. E pensar que podia beneficiar da sua morte ainda fazia odiar-me mais por esse maldito pensamento… Mas não demorou muito… Estava demasiado cansado, havia uma enorme força a pressionar-me para fechar os olhos…
“Acorda, não podes adormecer agora, agueeennta…”-Era a voz do Sandro, começava a desvanecer…
“Vamos, acorda, temos de avançar.” Voltei ao presente, na floresta. Tinha adormecido, e vi que não fora o único, apesar do ataque que ocorreu a poucas horas, estávamos todos cansados. Estranho sonho tinha tido, lembrar assim o passado... terá a morte do Nuno contribuído de algum modo para este sonho, agora? Não sei...
“Vamos atacar agora, aproveitando o momento... Acorda os outros.”- Ordenou Sandro.
“Assim seja, pelo Nuno...”- Respondi.

Capitulo 6 – Fez-se silêncio…




28 de Junho de 20xx



Finalmente chegamos à floresta, onde havia demasiados pinheiros, infelizmente local ideal para uma emboscada. Não conseguimos ver o sol a pôr-se devido à altura e concentração desses mesmos pinheiros, e em pouco tempo já se fazia escuro.
“-Vamos armar as nossas tendas pessoal, não podemos orientar sem ajuda do sol, e não há urgência nesta missão.” Gritou o Sandro.
Após montar as tendas, fizemos uma fogueira e aquecemos as nossas rações (e as nossas mão também, a floresta era uma zona fria à noite). Apesar do frio e da pouca qualidade do jantar, estavam de bom humor, contando histórias e anedotas, era bom ver o pessoal assim em situações destas. Resolvi ir para a tenda descansar, tinha sido um dia longo.
Ouviu-se um grande estrondo e fez-se silêncio…. Estava alguém a abanar-me, não o conseguia ouvir, aliás, não conseguia ouvir nada…. Tinha adormecido? Nem recordo de chegar à tenda. Estaria acordado? Que raio é que se passava? Tinha a vista algo turva, mas conseguia ver parcialmente o mundo, ia melhorar aos poucos, vi que ainda estava de noite e que o sujeito era o médico do nosso grupo, o Lopes.
“Essssstttttaaaaaass beeeemmm…” Disse o Lopes, mas não percebi o que era, parecia que ele estava a quilómetros de distância.
“Então, responde, estás bem?”
Finalmente compreendi.
“-Sim, sinto-me um pouco atordoado e com uma enorme dor de cabeça. O que está a acontecer?”
“-Estão a atacar com morteiros, calhou um cá perto e foste atirado, nem sabes a sorte que tiveste. Consegues andar?”
Ajudou-me a levantar e vi que nem tinha chegado à tenda, e lá no acampamento havia uma enorme confusão. Ouvi o Sandro a dar instruções…
“-Vão buscar o vosso equipamento essencial e afastem-se desta zona, todos juntos, RÁPIDO!”
Passado cerca de 15 minutos paramos, estávamos longe do nosso pequeno acampamento e já não se ouvia explosões.
“-PORRA!” Gritou o Sandro a esmurrar uma árvore. Estava mesmo chateado, nunca o tinha visto assim. Percebi o que se passava ao olhar para a minha equipa.
“-O Nuno…?” Questionei.
“-Levou com um tiro de morteiro.” Respondeu o Lopes com um tom baixo…
Fez-se silêncio durante algum tempo. Ainda não conseguia acreditar, ainda há pouco tempo estávamos com ele, a ouvir as historias engraçadas de como acabava mal os seus encontros amorosos... Era demasiado penoso pensar nos que partem, de como aquela pessoa que conhecíamos, aquela pessoa que existia, tudo o que afectava em seu redor... desaparecia...
Ficamos naquele local até o sol aparecer, não podíamos fazer mais nada…

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Capitulo 5 – Partimos.




27 de Julho de 20xx



Recebemos ordens, tínhamos de reconhecer terreno a oeste da região, numa floresta.
Estava a arrumar o meu equipamento quando bateram à porta, era o Silva.
“-Soube que estavam de partida, daí que quero oferecer-te isto, soube que treinaste essa especialidade cá durante estes 2 meses.”
Era uma sniper com o meu nome gravado, mas não iria levar para a missão, a minha especialidade no grupo não era essa. Mas fiquei grato por tal prenda.
As vossas armas também receberam um pequeno upgrade!”
“-Obrigado.” Respondi.
“-É o mínimo que posso fazer pelos que partem. Sabes o que é desta vez?”
“- Não, mas classificaram como nível baixo, não deverá haver problemas.”
“-Bem, de qualquer modo, tem cuidado, os Alurs têm estado mais activos ultimamente...” Ao dizer isto, Silva despediu-se e saiu do quarto. Alurs era o nome dado aos nossos adversários.
Quando cheguei ao pátio notei que havia um ambiente pesado, já não era tão alegre. Era sempre assim quando havia notícia de mais uma missão. Mas o nosso esquadrão encontrava-se num estado normal, como se nada fosse. Sabíamos que alguma vez iríamos partir e tínhamos de ter sempre a moral alta, senão era suicídio. Começou as despedidas, os abraços, as lágrimas, um contraste do que quando chegamos, mas eu simplesmente limitei a dirigir para o camião de transporte de pessoal, não queria despedir-me dos que cá deixava, isso afectava-me.
Durante a viagem o Sandro contou-nos que um avião de reconhecimento tinha desaparecido nessa aérea e ainda não havia notícias do piloto, nós íamos apenas verificar se fora um acidente no motor ou algo pior, a presença do inimigo. O caminho dentro dessa floresta era o mesmo utilizado pelos nossos camiões de transporte de material, daí que tínhamos de “limpar” a floresta caso houvesse problemas.
Durante uma breve paragem para esticar as pernas, aproximei-me do Sandro.
“-Já começas a duvidar da nossa eficácia?” perguntei.
“-Como? Que queres dizer com isso?”
“-Uma simples missão de reconhecimento para o nosso esquadrão?”
“-Perspicaz como sempre... Tens razão ao acusar-me de ter uma certa parte de culpa, fui eu que pedi esta missão, como sabes, não podemos ficar muito tempo parados, mas de qualquer modo esta missão tem a sua quota-parte de perigo que requisita a presença do nosso esquadrão, nunca tivemos problemas com os nossos aviões, se é que estas a perceber.”
Passado mais 5 minutos voltamos aos camiões e continuamos a nossa viagem.

Capitulo 4 – A preservar momentos…




13 de Maio de 20xx


Adoro estes dias, o céu com um forte tom azulado com algumas nuvens a destacarem-se, o sol a brilhar, … Estava mesmo perfeito…
Estava numa pequena montanha não muito distante da base, e menos distante ainda do casalinho. Argh, detestava estar ao pé deles, ficava sempre embaraçado, mas quiseram dar uma boleia, daí que aproveitei… Bem, também daqui apenas os oiço, e mal, o que já não é mau! Há uma semana que tínhamos voltado da ultima missão e estava tudo calmo, não havia sinais do inimigo, mas não posso queixar-me, a meio da semana comecei a especializar-me com a sniper, depois de contar o que se passou naquela casa ao Andrade ele deu uma forte gargalhada, ficando até com a cara vermelha e com lágrimas nos olhos e então decidiu ajudar-me nessa área. Deu algumas dicas importantes que ajudaram imenso, melhorei muito em apenas 6 dias, o que não era difícil, tendo em conta a minha má prestação, e hoje era para treinar mais um pouco, mas quis repousar e aproveitar o bom tempo.
Passado algum tempo voltei a pé para a base, não queria incomodar a Sofia e o Sandro e fazia-me falta dar um passeio, quando cheguei à base o Nuno veio ter comigo.
“-Ei, o pessoal mais logo vai reunir-se para uma partida amigável de futebol, nós contra os rapazes do 1 batalhão de infantaria, que achas?”
“-Achas que eu alguma vez iria dizer não a uma partida de futebol?” Respondi com um sorriso
“-Ok, falta agora avisar o Sandro!”
“-Depois aviso, não te preocupes.”
Agradeceu e afastou-se. Que poderia dizer sobre o Nuno? Era um sujeito muito competitivo e teimoso, mas um bom amigo e sempre leal aos seus.
Mais tarde tivemos a jogar e quase que ganhávamos a partida, tendo os adversários empatado o jogo nos últimos minutos, mas foi um bom jogo, estavam todos de bom humor. São estes momentos que nos fazem aguentar na frente, no combate, a esquecer os “fantasmas” dos nossos camaradas que, de certo modo, nos perseguem...
Mais tarde, quando voltava ao quarto, encontrei o Sandro a tocar guitarra, mal como sempre, pelo que não resisti e disse:
“-Deverias levar a guitarra contigo para as missões, conseguirias levar mais adversários ao suicídio do que matar com a tua arma actual.”
Ele parou de tocar e fez-me um gesto obsceno com a mão e voltou a praticar...
Este evento fez-me ponderar se não deveria arranjar também um hobbie, criar algo em vez de só destruir... bem, vendo bem, se calhar era melhor assim, o Sandro não criava musica, arruinava-a completamente, eheh...