Maldita chuva… Desde que partimos ainda não abrandou, pergunto-me quanto tempo irá demorar… Bem, ao menos estamos num local quente até acalmar, das outras vezes não tem tivemos tanta sorte. Ainda pergunto-me como é que viemos aqui parar e porquê, e porque raio tínhamos de combater um inimigo desconhecido num ambiente da 2ª guerra mundial, edifícios e armas, mas acho que devia parar com estas questões, já não importa, não tenho saudades da minha vida anterior, aqui não era apenas outro mas sim alguém que fazia a diferença, …
-“Ei, outra vez na lua jovem?”
Era o Sandro, um grande amigo desta e da minha vida anterior, sempre preocupado com a moral dos seus soldados, sabia que ao mínimo erro desaparecíamos, algo que todos temíamos, pois não sabíamos o que acontecia ao desaparecer deste mundo.
-“Eh eh, estava aqui perdido nos meus pensamentos, nada de especial. E então, recebeste alguma ordem?”
-“Não, esta chuva interfere com o sistema de comunicações, mas ali o Nuno não desiste, diz que há-de conseguir estabelecer a comunicação.”
-“E então, tu e a Sofia resolveram os vossos problemas?”
-“Não, ela continua zangada, mas mais um dia ou dois e ela volta ao normal.” Respondeu o Sandro ao afastar-se para verificar se já havia alguma resposta da base.
A Sofia era a namorada do Sandro, conheceram-se aqui neste mundo e ela encontrava-se zangada pela última missão que fizemos, uma missão que podíamos considerar de suicida. Ela não gostava quando ele voluntariamente aceitava essas missões, mas era missões importantes que só nós podíamos cumprir.
Voltei às memórias, mas desta vezes a minha mente encontrava-se na base, já tinha passado 2 meses que estávamos nesta nova missão e as saudades eram um fardo em missões destas. Recordei-me dos berros do Santos aos novos recrutas, apesar de ser horrível para eles, era sempre algo engraçado de ver, mas o que realmente sentia falta era dela, do seu sorriso que tantas vezes animou em dias destes, escuros e chuvosos… Não sei em quantas batalhas estive, não sei quantas vezes arrisquei a minha própria vida, ou quantas vezes corri contra adversários sobre uma chuva de balas, mas contar o que sentia por ela era algo difícil, não tinha a mesma coragem que no campo de batalha, especialmente por que sempre que alguém mencionava o nome “dele” na sua presença ela tentava disfarçar a lágrima mas era inútil, todos sabíamos que era algo que ela dificilmente iria esquecer, especialmente quando tive parte da culpa da sua “morte”.
Fui novamente interrompido, e novamente pelo Sandro…
-Pessoal, boas notícias, estabelecemos contacto e a chuva abrandou, temos as coordenadas do alvo, hora de partir novamente.
Agarramos no nosso equipamento e voltamos a partir, notava-se que havia uma certa dor nos rostos dos homens, sentíamos bem lá no abrigo, mas eu de certo modo estava agradecido por voltar a sentir a chuva cair na minha face, despertou-me dos meus pensamentos, se iríamos enfrentar novamente os adversários era necessário estar a 100% e estar num estado de depressão era demasiado perigoso.
Passou algumas horas até que houve o alerta, tínhamos chegado ao local e em breve iria começar o combate que mudou as nossas vidas.
-Bem pessoal, está na hora, já sabem o que têm a fazer, por isso às vossas posições” Gritou o Sandro ao avistar um posto inimigo…
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