sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Capitulo 9 – Alguns pensamentos…




1 de Julho de 20xx



Recordo-me de uns dias atrás, quando chegamos à base, aquela alegria, aquele ambiente… Agora não… Eles sabiam o que se tinha passado, houve alguns abraços mas foi de reconforto, pelos que partiram...
Fui para o meu quarto, não queria ver ninguém, não queria saber de ninguém… Adormeci… Sonhei…
Voltei ao meu mundo, aquele tempo em que reunia os meus amigos e fazíamos sessões de videojogos, a batalhar uns contra os outros, mas sempre sem sentir o pesar da perda de um amigo, não, quando isso acontecia soltava-se insultos e gargalhadas. Bons velhos tempos…
Era de madrugada, e tal como o meu humor, estava um dia triste, escuro e a chover. Quando olhei pela janela vi o Sandro com a Sofia, esbocei um pequeno sorriso por momentos, era agradável ver momentos destes, tristezas não eram bem vindas!
Voltei a minha leitura, tinha sempre pouco tempo para ler, logo aproveitava estes pequenos momentos para terminar o livro, estando sempre consciente que quando terminar de ler, irei sentir uma grande tristeza... Era estranho... Era daqueles momentos em que sentimos que estamos a viver aqueles momentos da historia, e quando termina, enfim, o “final feliz” não ajuda, acabou bem mas acabou, acabou as aventuras, aqueles momentos. Como seria aqui? O que seria de nós? Destes tempos? Das relações aqui criadas? Voltaríamos ao nosso mundo? Enfim, voltei a concentrar na leitura, ao menos fazia esquecer tudo por uns minutos.
Começava a anoitecer, aproveitei a pausa da chuva para apanhar um pouco de ar, passei a tarde toda a ler e tinha uma ligeira dor de cabeça. Estava tudo calmo, todos estavam lá dentro, abrigados do frio, mas eu nem me importava, gostava de sentir o vento e olhar lá para cima e ver o céu povoado pelas estrelas, só que hoje via-se pouco devido às nuvens que insistiam em manter o céu ocupado, mas ei, conseguia ver a lua e algumas estrelas, já não era mau.
“Olha ele, aqui tristonho e abandonado…. Se fosse um cãozinho levava para casa”
Virei-me e vi o Sandro.
“Cão vadio aqui, ao contrario do cão com trela que abana a caudinha quando vê a Sofia, e então quando ela começa a chamar Sandrinho, lá vai ele correndo, quase aos saltos, eheh!”- Respondi na “mesma moeda”.
“Bah, estas é invejoso de não ter uma gaja, anti-social do caraças.”
“Pois, donzelas é difíceis de encontrar, especialmente quando não tenho o teu estilo de mauzão mas com o coraçãozinho de ouro, ahah”
“Ai tu… Fora de brincadeiras, necessitas de uma rapariga… E com tanto “peixe” nesta base, ui, é só escolher”- Disse o Sandro.
“Sabes, decidi ficar sozinho, assim não sofro. Por exemplo a Cláudia… Quando desapareceu, foi em paz, sem preocupações, sem medo, sem dor…”
“Bem, é a tu opinião e eu a respeito, mas lembra-te, por vezes é preciso sofrer para perceber o que há de bom na vida, e a Cláudia… Bem, ela nunca tentou. Sabes, se ela tivesse alguém aqui não iria querer partir, iria sim, dar sempre 100% nos combates para poder voltar a essa pessoa, mas não, ela decidiu ficar-se pelos 50% ou menos...”
”Talvez, mas se pensarmos no Nuno, ele sempre deu os tais 100% mas não voltou… e lá está ela, abandonada, “presa” neste mundo sem a pessoa que mais ama…” – Respondi.
“Bem, eu acredito que voltaram a estarem juntos, acredito mesmo nisso, e para eles nunca ficou a duvida “como seria se…”, eles avançaram, agora tu, não sei, temes algo…”
“Enfim, estamos a ficar demasiado lamechas e não tarda vem a dona buscar o cãozito, vamos para dentro”- Resolvi acabar com a conversa.
Voltei para o meu quarto e fui directamente para a cama, sono era realmente a cura para a alma…

Capitulo 8 – Um sorriso…




29 de Junho de 20xx

O sol começava a dar sinal de vida, decidimos avançar, com um misto de medo e ódio, silenciosamente por entre as árvores. Só pensava nos tempos que o pessoal passou com o Nuno e como agora seria diferente… Para trás deixava os amigos e a sua miúda, não, não havia como deixar passar este ódio, guardava-o todo para o combate…
“Base localizada, 700 metros a norte” -disse um dos nossos.
O Sandro deu as ordens, dirigindo-se então todos para as suas respectivas posições.
Estava novamente a cobrir o Andrade, deixei-o ir para um ponto mais alto, mais perto, fica-me a meia distancia, ele quis certificar-se que acertava no maior número possível daqueles sacanas…
Fomos avistados, mas era tarde de mais, já estávamos em vantagem de terreno e começamos a disparar… um… dois… três, quatro, cinco… rapidamente num barulho ensurdecedor iam caindo os inimigos como cai as folhas de uma árvore após esta ser receber um impacto violento. Não falhava, não tinha a sniper, apenas a minha arma regular e a meu desejo de vingança misturado com a adrenalina. Recarreguei o mais rápido possível, o ódio continuava a servir de combustível, noutra altura, noutra situação até poderia sentir pena por eles, eles que nem tiveram tempo para ripostar… Cobardes… Sintam agora a fúria, não em ataques cobardes à distância, mas bem perto de vós…Não sei quanto tempo passou, mas já tinha acabado. Acho que o inimigo nunca tinha sofrido um ataque assim, tão violento, tão rápido, tão preciso…
“Décio, Cláudia, Gomes e Oliveira, verifiquem a área” – Ordenou Sandro.
Fomos cautelosamente verificar a base, as minhas mãos ainda tremiam, não sei se era da adrenalina ou efeito posterior ao de disparar sucessivamente a minha arma…
Ficamos separados, eu fui em direcção do que parecia ser a casa principal, em busca de documentação, o habitual… Encontrei algumas armas e papelada, mas não dei a maçada de ler, estava cansado e demasiado nervoso.
Voltei as minhas velhas questões… porquê? Porquê isto tudo? Quem são eles… Porquê, a palavra que mais se repetia na minha mente… mas não por muito, ouvi um disparo, saí logo da casa em alerta.
Vi que era a Cláudia que tinha encontrado um soldado que tinha escapado ao tiroteio, mas cheguei tarde, ela já tinha sido atingida. Ele estava em fuga mas o Gomes apanhou-o a tempo. Cheguei ao pé dela, enquanto que o nosso médico tentava aplicar os primeiros socorros e vi algo que não esperava, um sorriso antes de lentamente a sua alma abandonar o seu corpo.
Não entendi… Pouco conhecia sobre ela, tinha recentemente chegado ao nosso grupo, e apenas falei com ela por breves minutos numa festa organizada la na base. Será que detestava este mundo, estas batalhas, queria apenas desaparecer, deixar a arma de lado? Mas tal como todos nós, sentia a obrigação de defender os nossos colegas, mesmo que significa-se combater este inimigo... Sim… Estou aqui para defender os meus colegas, os meus amigos e nada mais.
Quando os restantes companheiros juntaram-se a nós e contamos o sucedido, ficamos todos calados por uns minutos, mas não sentíamos a mesma dor ou fúria, como aconteceu com o Nuno, estávamos esgotados e mesmo que tivéssemos a energia, a vingança já tinha sido aplicada
“Bem, acabou-se, vamos voltar, tínhamos outra missão mas após estas perdas, enfim, eles compreenderam! Vamos para o ponto de extracção.”- Finalmente disse Sandro.

sábado, 3 de outubro de 2009

Capitulo 7 – Sentimento de culpa…




x de xxxx de 20xx



“Vamos, vamos, sem tempo a perder, estamos perto do objectivo.”- Ordenou o Neves, o líder do nosso grupo.
Tínhamos como objectivo tomar de assalto uma base aerea de modo a evitar alguns bombardeamentos nos postos avançados, estava escuro e ainda não tinham se apercebido da nossa presença, um feliz golpe de sorte.
“Aguardem aqui um momento, vou verificar a 2ª parte do terreno.”- Avisou Neves.
Detestava-o. Não sei se era por ser um pouco frio connosco ou por simplesmente por ser ele quem a Carla amava... Odiava cada momento que o via junto a ela…
Ainda recordo a primeira vez que a vi, foi nos primeiros dias em que cá chegamos… Foi a época confusa, em que não sabíamos exactamente o que se passava, simplesmente entramos e sem saber como, tínhamos novas memorias, sabíamos o que fazer, como já o tivéssemos feito antes, mas sabíamos que era um mundo novo, era como se tivéssemos recebido novas memorias… Enfim, mas para além da confusão lá estava ela, uma rapariga simples mas no entanto bela, sempre que passava perto dela ficava sem forças nas pernas, paralisado com a ideia de ela poder falar comigo, assustava-me essa ideia, visto não ter a coragem que hoje tenho. Mas “ele” chegará primeiro… O seu carisma a conquistará, duas diferentes personalidades, mas no entanto pareciam um casal feliz.
Suspirei. Neve fez sinal que o caminho estava livre, avançamos então em direcção do hangar e começamos a colocar os explosivos. Tiros. Olhei em redor e procurei cobertura, a nossa sorte tinha-se esgotado, e estávamos mesmo numa má situação má, eram vários adversários e 3 dos nossos tinham sido abatidos.
“Ajuda-me aqui.”- Gritou o Sandro que estava sobre fogo cerrado.
Apressei-me e disparei contra os 2 soldados que estavam na parte superior do Hangar, tendo apanhado 1, mas o outro fugiu, azar o meu, sorte a dele.
“Ok, temos explosivos suficientes, vamos embora, cubram as costas uns dos outros e avancem rápido, mais de 10m aqui será suicídio.”- Alertou Neves.
Avançamos com muita precaução, ainda estávamos sobre fogo cerrado, apesar de não ser muitos soldados, parecia que a maioria dos adversários estavam fora da base, mas nem questionei porquê, queria era sair dali, a missão tinha complicado. Subitamente tive uma dor terrível na perna. Fui atingido. Era mesmo um mau dia… Estava lixado, um dos homens que tinham sido abatidos era o médico, não havia a hipótese de me curar no campo de batalha, tinha de chegar a base rapidamente, mas mal conseguia andar.
“Aguenta-te aí, eu levo-te” – Disse Neves ao largar a arma e pondo-me às suas costas, e então avançamos. Era uma vergonha para mim, a pessoa que mais detestava era quem estava a salvar a vida.
Infelizmente o grupo começou a dividir-se, estávamos com pressa, uma base contra nós era a típica batalha de David contra Golias, mas sem o que seja que David para vencer; eu e o Neves estávamos a ficar para trás, estávamos a andar demasiado lentamente, até que apareceu um soldado. Não. Estávamos lixados. Ouvi um tiro, e cai no chão, olhei para o lado e vi o Neves a desaparecer.
“NÃOOOOO, SEUS SACANAS, FILHOS DA PUTA!!!”- Gritei. Era demasiado tarde para mim, eu era o próximo. Ouvi outro tiro. Estava ainda aqui. Vi o soldado a cair.
“Bolas, devíamos ter esperado por vocês, porra!”-Disse o Sandro. “Anda, eu ajudo-te.”
Em boa hora, era salvo pela segunda vez no dia, mas na minha mente estava uma confusão de emoções, pois apesar do meu ódio por Neves, apesar de pensar que tinha o caminho novamente aberto para ela, sentia uma raiva enorme, pelos adversários, pela morte de Neves, por mim, se não fosse eu… bolas… deveria ter tido mais cuidado. E pensar que podia beneficiar da sua morte ainda fazia odiar-me mais por esse maldito pensamento… Mas não demorou muito… Estava demasiado cansado, havia uma enorme força a pressionar-me para fechar os olhos…
“Acorda, não podes adormecer agora, agueeennta…”-Era a voz do Sandro, começava a desvanecer…
“Vamos, acorda, temos de avançar.” Voltei ao presente, na floresta. Tinha adormecido, e vi que não fora o único, apesar do ataque que ocorreu a poucas horas, estávamos todos cansados. Estranho sonho tinha tido, lembrar assim o passado... terá a morte do Nuno contribuído de algum modo para este sonho, agora? Não sei...
“Vamos atacar agora, aproveitando o momento... Acorda os outros.”- Ordenou Sandro.
“Assim seja, pelo Nuno...”- Respondi.

Capitulo 6 – Fez-se silêncio…




28 de Junho de 20xx



Finalmente chegamos à floresta, onde havia demasiados pinheiros, infelizmente local ideal para uma emboscada. Não conseguimos ver o sol a pôr-se devido à altura e concentração desses mesmos pinheiros, e em pouco tempo já se fazia escuro.
“-Vamos armar as nossas tendas pessoal, não podemos orientar sem ajuda do sol, e não há urgência nesta missão.” Gritou o Sandro.
Após montar as tendas, fizemos uma fogueira e aquecemos as nossas rações (e as nossas mão também, a floresta era uma zona fria à noite). Apesar do frio e da pouca qualidade do jantar, estavam de bom humor, contando histórias e anedotas, era bom ver o pessoal assim em situações destas. Resolvi ir para a tenda descansar, tinha sido um dia longo.
Ouviu-se um grande estrondo e fez-se silêncio…. Estava alguém a abanar-me, não o conseguia ouvir, aliás, não conseguia ouvir nada…. Tinha adormecido? Nem recordo de chegar à tenda. Estaria acordado? Que raio é que se passava? Tinha a vista algo turva, mas conseguia ver parcialmente o mundo, ia melhorar aos poucos, vi que ainda estava de noite e que o sujeito era o médico do nosso grupo, o Lopes.
“Essssstttttaaaaaass beeeemmm…” Disse o Lopes, mas não percebi o que era, parecia que ele estava a quilómetros de distância.
“Então, responde, estás bem?”
Finalmente compreendi.
“-Sim, sinto-me um pouco atordoado e com uma enorme dor de cabeça. O que está a acontecer?”
“-Estão a atacar com morteiros, calhou um cá perto e foste atirado, nem sabes a sorte que tiveste. Consegues andar?”
Ajudou-me a levantar e vi que nem tinha chegado à tenda, e lá no acampamento havia uma enorme confusão. Ouvi o Sandro a dar instruções…
“-Vão buscar o vosso equipamento essencial e afastem-se desta zona, todos juntos, RÁPIDO!”
Passado cerca de 15 minutos paramos, estávamos longe do nosso pequeno acampamento e já não se ouvia explosões.
“-PORRA!” Gritou o Sandro a esmurrar uma árvore. Estava mesmo chateado, nunca o tinha visto assim. Percebi o que se passava ao olhar para a minha equipa.
“-O Nuno…?” Questionei.
“-Levou com um tiro de morteiro.” Respondeu o Lopes com um tom baixo…
Fez-se silêncio durante algum tempo. Ainda não conseguia acreditar, ainda há pouco tempo estávamos com ele, a ouvir as historias engraçadas de como acabava mal os seus encontros amorosos... Era demasiado penoso pensar nos que partem, de como aquela pessoa que conhecíamos, aquela pessoa que existia, tudo o que afectava em seu redor... desaparecia...
Ficamos naquele local até o sol aparecer, não podíamos fazer mais nada…

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Capitulo 5 – Partimos.




27 de Julho de 20xx



Recebemos ordens, tínhamos de reconhecer terreno a oeste da região, numa floresta.
Estava a arrumar o meu equipamento quando bateram à porta, era o Silva.
“-Soube que estavam de partida, daí que quero oferecer-te isto, soube que treinaste essa especialidade cá durante estes 2 meses.”
Era uma sniper com o meu nome gravado, mas não iria levar para a missão, a minha especialidade no grupo não era essa. Mas fiquei grato por tal prenda.
As vossas armas também receberam um pequeno upgrade!”
“-Obrigado.” Respondi.
“-É o mínimo que posso fazer pelos que partem. Sabes o que é desta vez?”
“- Não, mas classificaram como nível baixo, não deverá haver problemas.”
“-Bem, de qualquer modo, tem cuidado, os Alurs têm estado mais activos ultimamente...” Ao dizer isto, Silva despediu-se e saiu do quarto. Alurs era o nome dado aos nossos adversários.
Quando cheguei ao pátio notei que havia um ambiente pesado, já não era tão alegre. Era sempre assim quando havia notícia de mais uma missão. Mas o nosso esquadrão encontrava-se num estado normal, como se nada fosse. Sabíamos que alguma vez iríamos partir e tínhamos de ter sempre a moral alta, senão era suicídio. Começou as despedidas, os abraços, as lágrimas, um contraste do que quando chegamos, mas eu simplesmente limitei a dirigir para o camião de transporte de pessoal, não queria despedir-me dos que cá deixava, isso afectava-me.
Durante a viagem o Sandro contou-nos que um avião de reconhecimento tinha desaparecido nessa aérea e ainda não havia notícias do piloto, nós íamos apenas verificar se fora um acidente no motor ou algo pior, a presença do inimigo. O caminho dentro dessa floresta era o mesmo utilizado pelos nossos camiões de transporte de material, daí que tínhamos de “limpar” a floresta caso houvesse problemas.
Durante uma breve paragem para esticar as pernas, aproximei-me do Sandro.
“-Já começas a duvidar da nossa eficácia?” perguntei.
“-Como? Que queres dizer com isso?”
“-Uma simples missão de reconhecimento para o nosso esquadrão?”
“-Perspicaz como sempre... Tens razão ao acusar-me de ter uma certa parte de culpa, fui eu que pedi esta missão, como sabes, não podemos ficar muito tempo parados, mas de qualquer modo esta missão tem a sua quota-parte de perigo que requisita a presença do nosso esquadrão, nunca tivemos problemas com os nossos aviões, se é que estas a perceber.”
Passado mais 5 minutos voltamos aos camiões e continuamos a nossa viagem.

Capitulo 4 – A preservar momentos…




13 de Maio de 20xx


Adoro estes dias, o céu com um forte tom azulado com algumas nuvens a destacarem-se, o sol a brilhar, … Estava mesmo perfeito…
Estava numa pequena montanha não muito distante da base, e menos distante ainda do casalinho. Argh, detestava estar ao pé deles, ficava sempre embaraçado, mas quiseram dar uma boleia, daí que aproveitei… Bem, também daqui apenas os oiço, e mal, o que já não é mau! Há uma semana que tínhamos voltado da ultima missão e estava tudo calmo, não havia sinais do inimigo, mas não posso queixar-me, a meio da semana comecei a especializar-me com a sniper, depois de contar o que se passou naquela casa ao Andrade ele deu uma forte gargalhada, ficando até com a cara vermelha e com lágrimas nos olhos e então decidiu ajudar-me nessa área. Deu algumas dicas importantes que ajudaram imenso, melhorei muito em apenas 6 dias, o que não era difícil, tendo em conta a minha má prestação, e hoje era para treinar mais um pouco, mas quis repousar e aproveitar o bom tempo.
Passado algum tempo voltei a pé para a base, não queria incomodar a Sofia e o Sandro e fazia-me falta dar um passeio, quando cheguei à base o Nuno veio ter comigo.
“-Ei, o pessoal mais logo vai reunir-se para uma partida amigável de futebol, nós contra os rapazes do 1 batalhão de infantaria, que achas?”
“-Achas que eu alguma vez iria dizer não a uma partida de futebol?” Respondi com um sorriso
“-Ok, falta agora avisar o Sandro!”
“-Depois aviso, não te preocupes.”
Agradeceu e afastou-se. Que poderia dizer sobre o Nuno? Era um sujeito muito competitivo e teimoso, mas um bom amigo e sempre leal aos seus.
Mais tarde tivemos a jogar e quase que ganhávamos a partida, tendo os adversários empatado o jogo nos últimos minutos, mas foi um bom jogo, estavam todos de bom humor. São estes momentos que nos fazem aguentar na frente, no combate, a esquecer os “fantasmas” dos nossos camaradas que, de certo modo, nos perseguem...
Mais tarde, quando voltava ao quarto, encontrei o Sandro a tocar guitarra, mal como sempre, pelo que não resisti e disse:
“-Deverias levar a guitarra contigo para as missões, conseguirias levar mais adversários ao suicídio do que matar com a tua arma actual.”
Ele parou de tocar e fez-me um gesto obsceno com a mão e voltou a praticar...
Este evento fez-me ponderar se não deveria arranjar também um hobbie, criar algo em vez de só destruir... bem, vendo bem, se calhar era melhor assim, o Sandro não criava musica, arruinava-a completamente, eheh...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Informação



Ainda não decidi qual o espaço de tempo da publicação dos capítulos, e ainda estou a ponderar alterar a historia a partir deste momento, pelo que pode demorar a ser colocado os novos capitulos.
Quem realmente estiver interessado, vá visitando de vez em quando o blog ou então tente contactar-me.

Capitulo 3 – “Lar, doce lar…”




6 de Maio de 20xx


Chegamos finalmente à nossa base. Era constituído por um grande muro que protegia os edifícios, no meio do campo, um local calmo e que nunca tinha sido atacado, daí que se notava um ambiente de tranquilidade, mas sempre com aquele ar militar. Gostava deste sítio, não por ser o nosso lar mas sim por ajudar a esquecer a violência da guerra…
Vi ao longe o Sandro a ser recebido com montes de beijos, quando julgava que seria recebido com uma enorme gritaria, mas afinal já era de calcular que não seria assim, afinal após aquele tempo fora e correndo o risco de desaparecer, ela perdoou-lhe, especialmente porque desta vez ele a avisou que iria para mais uma tarefa terrível. Era estes momentos do qual falei… Os nossos homens a serem recebidos pelas suas donzelas ou pelos seus amigos, no meio de gargalhadas, abraços e beijos.
Só fiquei levemente afectado por ver a Cláudia a passar pelas tropas sem ser cumprimentada ou sem esboçar um pequeno sorriso que fosse. Sempre fora assim, calma e reservada, raramente a vi falar com alguém. Nunca perguntei-lhe porquê, afinal era a sua decisão.
Quando voltei a olhar para o Sandro, ele estava a afastar-se da Sofia, ficando ela um pouco aborrecida, e notei que ele dirigir-se ao edifício principal, obviamente indo reportar o sucedido, mas não preocupei-me mais com assunto, estava em casa, e os manda-chuva que preocupassem-se com a situação, agora o meu dever era aproveitar o resto da minha estadia, estava consciente que sem aviso prévio haveria uma nova missão a minha espera.
Passei pela sala de lazer e vi um grupo animado a jogar à mímica, e pelos gestos que faziam, coisa boa não era. Finalmente cheguei ao meu quarto, e após pousar o meu equipamento, dirigi-me para o duche, e lá senti-me noutro mundo, pois havia uma enorme diferença entre chuva gelada com um belo duche quente.
Após o duche resolvi descansar um pouco na cama e ler um livro, sobre a história improvável de 1 cavaleiro salvar a humanidade sacrificando-se para derrotar os inimigos, era uma história comovente sobre lealdade e grandes sacrifícios. Interrompi a minha leitura após ouvir bater à porta, quando abri, vi o Silva, outro grande amigo meu que conheci aqui neste mundo.
Era um rapaz extremamente brilhante, capaz de construir diversas armas e outro tipo de equipamento, ficava fascinado com as minhas histórias, pois ele nunca tinha vivido um momento de acção, sendo a sua vida pacata entre os livros e a trabalhar no laboratório.
Contei-lhe a historia toda, especialmente a parte final da missão, tentando assim receber a opinião de alguém que tinha um vasto conhecimento sobre armamento.
“-Interessante...” respondeu com um ar pensativo “Provavelmente trata-se de uma arma criada recentemente de grande poder, não temos dados sobre isso...”
“-Isso já desconfiava” respondi-lhe com um tom de desilusão…
“-Pensavas que já sabia o que era visto eu receber muitas informações do departamento secreto, ehm?” Disse após uma leve gargalhada.
“-Pois…”
“-Não, não sei nada sobre isso, mas já era de esperar que eles também tivessem alguns truques na manga, pergunto-me é o nível de perigo que isso representa…”
Após segundos de silencio, resolvemos que não iamos avançar no assunto pelo que era melhor encher o estômago, descemos em direcção à cantina onde tinha feito um almoço especial dedicado a nós. E que bela visão era…

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Capitulo 2 – Novo rumo…




5 de Maio de 20xx



As minhas ordens eram de proteger o Andrade, um sniper habilidoso do nosso esquadrão, o novato do grupo. Andrade era um jovem que durante o nosso tempo cá dedicou-se exclusivamente a sua sniper, gostava de exibir o seu talento aos outros, especialmente as senhoras, mas sempre fora 1 bom rapaz.

Estávamos em direcção a uma casa cinzenta, feita com pedras e com um típico ar tradicional campestre, Andrade tinha que eliminar soldados que estavam em posições estratégicas capazes de terminar com muitos dos nossos homens, tal como os que estavam a guardar com metralhadoras pesadas e com morteiros, mas não chegamos a essa casa, acabara de explodir perto de nós, e ao longe ouvia-se uma troca de tiros e gritos, começara o ataque demasiado cedo, não tivemos tempo de posicionar-nos. Mas veio-me algo a cabeça após recuperar da explosão, onde estava o Andrade? Procurei-o a minha volta e vi um corpo, temi o pior ao aproximar. Felizmente ainda estava vivo, apenas inconsciente, mas não podia perder tempo a tratar dele, os outros dependiam de mim, por isso deixei-o entre a relva molhada e corria para a casa com a sniper, sei que não poderia fazer muito mas tinha que tentar.

Já dentro da casa aproximei-me da janela de madeira e preparei-me para começar a disparar, a minha primeira tentativa era de um soldado que estava a dispara o morteiro…

Respirei fundo… disparei… falhei…

Segunda tentativa… falhei novamente… Tinha que respirar fundo e concentrar-me …

Terceira tentativa acertei num soldado, mas não era o meu alvo, apenas um soldado que estava lá perto… noutra altura, talvez tivesse achado piada a tal “falhanço certeiro”…

Preparava-me para o quarto tiro quando reparei que estava 1 camião em fuga, que devido a provavelmente a uma bala perdida ou a estrada estar lamacenta perdeu o controlo e bateu contra uma grande pedra, só tendo tempo de ver uma forte luz proveniente desse mesmo camião.

Ao recuperar os sentidos vi que a base tinha desaparecido e que o nosso esquadrão dirigia-se para o local onde estava, chegando primeiro o Sandro.

“-Estás bem? Perguntou.

“-Sim, só perdi a consciência por uns minutos. Que se passou?

“-Não sei, a base deles foi completamente dizimada!”

“-O ANDRADE??? DEIXEI-O FERIDO AO…” Gritei eu ao recordar-me do mesmo mas fui interrompido pelo Sandro.

“-Calma, tropeçamos nele ao vir para cá e já o enviamos no jipe para um posto próximo, não foi nada de grave.” Respondeu com 1 com 1 ar preocupado, não com o colega mas com a explosão.

“Em que é que estas a pensar? -Perguntei-lhe após um breve silêncio, sabendo já a resposta mas queria saber a sua opinião.

“-Num belo banho, um jantar quente e de reconciliar e passar um tempo com a minha miúda” disse, com um leve sorriso nos lábios, tentando evitar dar a sua opinião, pois sabia que era algo grave mas não queria assustar-me. “-Vamos, hora de regressar.”

domingo, 26 de julho de 2009

Capitulo I - Mais um dia...

5 de Maio de 20xx


Maldita chuva… Desde que partimos ainda não abrandou, pergunto-me quanto tempo irá demorar… Bem, ao menos estamos num local quente até acalmar, das outras vezes não tem tivemos tanta sorte. Ainda pergunto-me como é que viemos aqui parar e porquê, e porque raio tínhamos de combater um inimigo desconhecido num ambiente da 2ª guerra mundial, edifícios e armas, mas acho que devia parar com estas questões, já não importa, não tenho saudades da minha vida anterior, aqui não era apenas outro mas sim alguém que fazia a diferença, …
-“Ei, outra vez na lua jovem?”
Era o Sandro, um grande amigo desta e da minha vida anterior, sempre preocupado com a moral dos seus soldados, sabia que ao mínimo erro desaparecíamos, algo que todos temíamos, pois não sabíamos o que acontecia ao desaparecer deste mundo.
-“Eh eh, estava aqui perdido nos meus pensamentos, nada de especial. E então, recebeste alguma ordem?”
-“Não, esta chuva interfere com o sistema de comunicações, mas ali o Nuno não desiste, diz que há-de conseguir estabelecer a comunicação.”
-“E então, tu e a Sofia resolveram os vossos problemas?”
-“Não, ela continua zangada, mas mais um dia ou dois e ela volta ao normal.” Respondeu o Sandro ao afastar-se para verificar se já havia alguma resposta da base.
A Sofia era a namorada do Sandro, conheceram-se aqui neste mundo e ela encontrava-se zangada pela última missão que fizemos, uma missão que podíamos considerar de suicida. Ela não gostava quando ele voluntariamente aceitava essas missões, mas era missões importantes que só nós podíamos cumprir.
Voltei às memórias, mas desta vezes a minha mente encontrava-se na base, já tinha passado 2 meses que estávamos nesta nova missão e as saudades eram um fardo em missões destas. Recordei-me dos berros do Santos aos novos recrutas, apesar de ser horrível para eles, era sempre algo engraçado de ver, mas o que realmente sentia falta era dela, do seu sorriso que tantas vezes animou em dias destes, escuros e chuvosos… Não sei em quantas batalhas estive, não sei quantas vezes arrisquei a minha própria vida, ou quantas vezes corri contra adversários sobre uma chuva de balas, mas contar o que sentia por ela era algo difícil, não tinha a mesma coragem que no campo de batalha, especialmente por que sempre que alguém mencionava o nome “dele” na sua presença ela tentava disfarçar a lágrima mas era inútil, todos sabíamos que era algo que ela dificilmente iria esquecer, especialmente quando tive parte da culpa da sua “morte”.
Fui novamente interrompido, e novamente pelo Sandro…
-Pessoal, boas notícias, estabelecemos contacto e a chuva abrandou, temos as coordenadas do alvo, hora de partir novamente.
Agarramos no nosso equipamento e voltamos a partir, notava-se que havia uma certa dor nos rostos dos homens, sentíamos bem lá no abrigo, mas eu de certo modo estava agradecido por voltar a sentir a chuva cair na minha face, despertou-me dos meus pensamentos, se iríamos enfrentar novamente os adversários era necessário estar a 100% e estar num estado de depressão era demasiado perigoso.
Passou algumas horas até que houve o alerta, tínhamos chegado ao local e em breve iria começar o combate que mudou as nossas vidas.
-Bem pessoal, está na hora, já sabem o que têm a fazer, por isso às vossas posições” Gritou o Sandro ao avistar um posto inimigo…

Antes de mais...



Em 2006 decidi criar esta historia devido a um tópico existente num determinado fórum que propunha a libertar a criatividade dentro de nós e colocar escrito para que outros pudessem ler... Ora, assim foi criada esta historia que é igual a tantas outras e muito inspirada em filmes e series da 2ª guerra mundial, muito básica e curta, nomes e localizações, ou seja lá o que for, alguns podem ser inspirados em algumas pessoas que conheço mas a maioria foi inventada, não vá alguém processar-me! :)
Agora volta a aparecer na forma de "blog", para que esteja novamente disponível para o "mundo" (salvo seja), pelo que quem estiver interessado, actualizarei de tempos a tempos com um novo capitulo e irei alterar o conteúdo do que já foi escrito, tentando melhorar alguns aspectos e dar um novo final (que na altura foi apressado e não ficou como pretendia), por isso, adiante...