1 de Julho de 20xx
Recordo-me de uns dias atrás, quando chegamos à base, aquela alegria, aquele ambiente… Agora não… Eles sabiam o que se tinha passado, houve alguns abraços mas foi de reconforto, pelos que partiram...
Fui para o meu quarto, não queria ver ninguém, não queria saber de ninguém… Adormeci… Sonhei…
Voltei ao meu mundo, aquele tempo em que reunia os meus amigos e fazíamos sessões de videojogos, a batalhar uns contra os outros, mas sempre sem sentir o pesar da perda de um amigo, não, quando isso acontecia soltava-se insultos e gargalhadas. Bons velhos tempos…
Era de madrugada, e tal como o meu humor, estava um dia triste, escuro e a chover. Quando olhei pela janela vi o Sandro com a Sofia, esbocei um pequeno sorriso por momentos, era agradável ver momentos destes, tristezas não eram bem vindas!
Voltei a minha leitura, tinha sempre pouco tempo para ler, logo aproveitava estes pequenos momentos para terminar o livro, estando sempre consciente que quando terminar de ler, irei sentir uma grande tristeza... Era estranho... Era daqueles momentos em que sentimos que estamos a viver aqueles momentos da historia, e quando termina, enfim, o “final feliz” não ajuda, acabou bem mas acabou, acabou as aventuras, aqueles momentos. Como seria aqui? O que seria de nós? Destes tempos? Das relações aqui criadas? Voltaríamos ao nosso mundo? Enfim, voltei a concentrar na leitura, ao menos fazia esquecer tudo por uns minutos.
Começava a anoitecer, aproveitei a pausa da chuva para apanhar um pouco de ar, passei a tarde toda a ler e tinha uma ligeira dor de cabeça. Estava tudo calmo, todos estavam lá dentro, abrigados do frio, mas eu nem me importava, gostava de sentir o vento e olhar lá para cima e ver o céu povoado pelas estrelas, só que hoje via-se pouco devido às nuvens que insistiam em manter o céu ocupado, mas ei, conseguia ver a lua e algumas estrelas, já não era mau.
“Olha ele, aqui tristonho e abandonado…. Se fosse um cãozinho levava para casa”
Virei-me e vi o Sandro.
“Cão vadio aqui, ao contrario do cão com trela que abana a caudinha quando vê a Sofia, e então quando ela começa a chamar Sandrinho, lá vai ele correndo, quase aos saltos, eheh!”- Respondi na “mesma moeda”.
“Bah, estas é invejoso de não ter uma gaja, anti-social do caraças.”
“Pois, donzelas é difíceis de encontrar, especialmente quando não tenho o teu estilo de mauzão mas com o coraçãozinho de ouro, ahah”
“Ai tu… Fora de brincadeiras, necessitas de uma rapariga… E com tanto “peixe” nesta base, ui, é só escolher”- Disse o Sandro.
“Sabes, decidi ficar sozinho, assim não sofro. Por exemplo a Cláudia… Quando desapareceu, foi em paz, sem preocupações, sem medo, sem dor…”
“Bem, é a tu opinião e eu a respeito, mas lembra-te, por vezes é preciso sofrer para perceber o que há de bom na vida, e a Cláudia… Bem, ela nunca tentou. Sabes, se ela tivesse alguém aqui não iria querer partir, iria sim, dar sempre 100% nos combates para poder voltar a essa pessoa, mas não, ela decidiu ficar-se pelos 50% ou menos...”
”Talvez, mas se pensarmos no Nuno, ele sempre deu os tais 100% mas não voltou… e lá está ela, abandonada, “presa” neste mundo sem a pessoa que mais ama…” – Respondi.
“Bem, eu acredito que voltaram a estarem juntos, acredito mesmo nisso, e para eles nunca ficou a duvida “como seria se…”, eles avançaram, agora tu, não sei, temes algo…”
“Enfim, estamos a ficar demasiado lamechas e não tarda vem a dona buscar o cãozito, vamos para dentro”- Resolvi acabar com a conversa.
Voltei para o meu quarto e fui directamente para a cama, sono era realmente a cura para a alma…

