29 de Junho de 20xx
O sol começava a dar sinal de vida, decidimos avançar, com um misto de medo e ódio, silenciosamente por entre as árvores. Só pensava nos tempos que o pessoal passou com o Nuno e como agora seria diferente… Para trás deixava os amigos e a sua miúda, não, não havia como deixar passar este ódio, guardava-o todo para o combate…
“Base localizada, 700 metros a norte” -disse um dos nossos.
O Sandro deu as ordens, dirigindo-se então todos para as suas respectivas posições.
Estava novamente a cobrir o Andrade, deixei-o ir para um ponto mais alto, mais perto, fica-me a meia distancia, ele quis certificar-se que acertava no maior número possível daqueles sacanas…
Fomos avistados, mas era tarde de mais, já estávamos em vantagem de terreno e começamos a disparar… um… dois… três, quatro, cinco… rapidamente num barulho ensurdecedor iam caindo os inimigos como cai as folhas de uma árvore após esta ser receber um impacto violento. Não falhava, não tinha a sniper, apenas a minha arma regular e a meu desejo de vingança misturado com a adrenalina. Recarreguei o mais rápido possível, o ódio continuava a servir de combustível, noutra altura, noutra situação até poderia sentir pena por eles, eles que nem tiveram tempo para ripostar… Cobardes… Sintam agora a fúria, não em ataques cobardes à distância, mas bem perto de vós…Não sei quanto tempo passou, mas já tinha acabado. Acho que o inimigo nunca tinha sofrido um ataque assim, tão violento, tão rápido, tão preciso…
“Décio, Cláudia, Gomes e Oliveira, verifiquem a área” – Ordenou Sandro.
Fomos cautelosamente verificar a base, as minhas mãos ainda tremiam, não sei se era da adrenalina ou efeito posterior ao de disparar sucessivamente a minha arma…
Ficamos separados, eu fui em direcção do que parecia ser a casa principal, em busca de documentação, o habitual… Encontrei algumas armas e papelada, mas não dei a maçada de ler, estava cansado e demasiado nervoso.
Voltei as minhas velhas questões… porquê? Porquê isto tudo? Quem são eles… Porquê, a palavra que mais se repetia na minha mente… mas não por muito, ouvi um disparo, saí logo da casa em alerta.
Vi que era a Cláudia que tinha encontrado um soldado que tinha escapado ao tiroteio, mas cheguei tarde, ela já tinha sido atingida. Ele estava em fuga mas o Gomes apanhou-o a tempo. Cheguei ao pé dela, enquanto que o nosso médico tentava aplicar os primeiros socorros e vi algo que não esperava, um sorriso antes de lentamente a sua alma abandonar o seu corpo.
Não entendi… Pouco conhecia sobre ela, tinha recentemente chegado ao nosso grupo, e apenas falei com ela por breves minutos numa festa organizada la na base. Será que detestava este mundo, estas batalhas, queria apenas desaparecer, deixar a arma de lado? Mas tal como todos nós, sentia a obrigação de defender os nossos colegas, mesmo que significa-se combater este inimigo... Sim… Estou aqui para defender os meus colegas, os meus amigos e nada mais.
Quando os restantes companheiros juntaram-se a nós e contamos o sucedido, ficamos todos calados por uns minutos, mas não sentíamos a mesma dor ou fúria, como aconteceu com o Nuno, estávamos esgotados e mesmo que tivéssemos a energia, a vingança já tinha sido aplicada
“Bem, acabou-se, vamos voltar, tínhamos outra missão mas após estas perdas, enfim, eles compreenderam! Vamos para o ponto de extracção.”- Finalmente disse Sandro.
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