x de xxxx de 20xx
“Vamos, vamos, sem tempo a perder, estamos perto do objectivo.”- Ordenou o Neves, o líder do nosso grupo.
Tínhamos como objectivo tomar de assalto uma base aerea de modo a evitar alguns bombardeamentos nos postos avançados, estava escuro e ainda não tinham se apercebido da nossa presença, um feliz golpe de sorte.
“Aguardem aqui um momento, vou verificar a 2ª parte do terreno.”- Avisou Neves.
Detestava-o. Não sei se era por ser um pouco frio connosco ou por simplesmente por ser ele quem a Carla amava... Odiava cada momento que o via junto a ela…
Ainda recordo a primeira vez que a vi, foi nos primeiros dias em que cá chegamos… Foi a época confusa, em que não sabíamos exactamente o que se passava, simplesmente entramos e sem saber como, tínhamos novas memorias, sabíamos o que fazer, como já o tivéssemos feito antes, mas sabíamos que era um mundo novo, era como se tivéssemos recebido novas memorias… Enfim, mas para além da confusão lá estava ela, uma rapariga simples mas no entanto bela, sempre que passava perto dela ficava sem forças nas pernas, paralisado com a ideia de ela poder falar comigo, assustava-me essa ideia, visto não ter a coragem que hoje tenho. Mas “ele” chegará primeiro… O seu carisma a conquistará, duas diferentes personalidades, mas no entanto pareciam um casal feliz.
Suspirei. Neve fez sinal que o caminho estava livre, avançamos então em direcção do hangar e começamos a colocar os explosivos. Tiros. Olhei em redor e procurei cobertura, a nossa sorte tinha-se esgotado, e estávamos mesmo numa má situação má, eram vários adversários e 3 dos nossos tinham sido abatidos.
“Ajuda-me aqui.”- Gritou o Sandro que estava sobre fogo cerrado.
Apressei-me e disparei contra os 2 soldados que estavam na parte superior do Hangar, tendo apanhado 1, mas o outro fugiu, azar o meu, sorte a dele.
“Ok, temos explosivos suficientes, vamos embora, cubram as costas uns dos outros e avancem rápido, mais de 10m aqui será suicídio.”- Alertou Neves.
Avançamos com muita precaução, ainda estávamos sobre fogo cerrado, apesar de não ser muitos soldados, parecia que a maioria dos adversários estavam fora da base, mas nem questionei porquê, queria era sair dali, a missão tinha complicado. Subitamente tive uma dor terrível na perna. Fui atingido. Era mesmo um mau dia… Estava lixado, um dos homens que tinham sido abatidos era o médico, não havia a hipótese de me curar no campo de batalha, tinha de chegar a base rapidamente, mas mal conseguia andar.
“Aguenta-te aí, eu levo-te” – Disse Neves ao largar a arma e pondo-me às suas costas, e então avançamos. Era uma vergonha para mim, a pessoa que mais detestava era quem estava a salvar a vida.
Infelizmente o grupo começou a dividir-se, estávamos com pressa, uma base contra nós era a típica batalha de David contra Golias, mas sem o que seja que David para vencer; eu e o Neves estávamos a ficar para trás, estávamos a andar demasiado lentamente, até que apareceu um soldado. Não. Estávamos lixados. Ouvi um tiro, e cai no chão, olhei para o lado e vi o Neves a desaparecer.
“NÃOOOOO, SEUS SACANAS, FILHOS DA PUTA!!!”- Gritei. Era demasiado tarde para mim, eu era o próximo. Ouvi outro tiro. Estava ainda aqui. Vi o soldado a cair.
“Bolas, devíamos ter esperado por vocês, porra!”-Disse o Sandro. “Anda, eu ajudo-te.”
Em boa hora, era salvo pela segunda vez no dia, mas na minha mente estava uma confusão de emoções, pois apesar do meu ódio por Neves, apesar de pensar que tinha o caminho novamente aberto para ela, sentia uma raiva enorme, pelos adversários, pela morte de Neves, por mim, se não fosse eu… bolas… deveria ter tido mais cuidado. E pensar que podia beneficiar da sua morte ainda fazia odiar-me mais por esse maldito pensamento… Mas não demorou muito… Estava demasiado cansado, havia uma enorme força a pressionar-me para fechar os olhos…
“Acorda, não podes adormecer agora, agueeennta…”-Era a voz do Sandro, começava a desvanecer…
“Vamos, acorda, temos de avançar.” Voltei ao presente, na floresta. Tinha adormecido, e vi que não fora o único, apesar do ataque que ocorreu a poucas horas, estávamos todos cansados. Estranho sonho tinha tido, lembrar assim o passado... terá a morte do Nuno contribuído de algum modo para este sonho, agora? Não sei...
“Vamos atacar agora, aproveitando o momento... Acorda os outros.”- Ordenou Sandro.
“Assim seja, pelo Nuno...”- Respondi.
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