28 de Junho de 20xx
Finalmente chegamos à floresta, onde havia demasiados pinheiros, infelizmente local ideal para uma emboscada. Não conseguimos ver o sol a pôr-se devido à altura e concentração desses mesmos pinheiros, e em pouco tempo já se fazia escuro.
“-Vamos armar as nossas tendas pessoal, não podemos orientar sem ajuda do sol, e não há urgência nesta missão.” Gritou o Sandro.
Após montar as tendas, fizemos uma fogueira e aquecemos as nossas rações (e as nossas mão também, a floresta era uma zona fria à noite). Apesar do frio e da pouca qualidade do jantar, estavam de bom humor, contando histórias e anedotas, era bom ver o pessoal assim em situações destas. Resolvi ir para a tenda descansar, tinha sido um dia longo.
Ouviu-se um grande estrondo e fez-se silêncio…. Estava alguém a abanar-me, não o conseguia ouvir, aliás, não conseguia ouvir nada…. Tinha adormecido? Nem recordo de chegar à tenda. Estaria acordado? Que raio é que se passava? Tinha a vista algo turva, mas conseguia ver parcialmente o mundo, ia melhorar aos poucos, vi que ainda estava de noite e que o sujeito era o médico do nosso grupo, o Lopes.
“Essssstttttaaaaaass beeeemmm…” Disse o Lopes, mas não percebi o que era, parecia que ele estava a quilómetros de distância.
“Então, responde, estás bem?”
Finalmente compreendi.
“-Sim, sinto-me um pouco atordoado e com uma enorme dor de cabeça. O que está a acontecer?”
“-Estão a atacar com morteiros, calhou um cá perto e foste atirado, nem sabes a sorte que tiveste. Consegues andar?”
Ajudou-me a levantar e vi que nem tinha chegado à tenda, e lá no acampamento havia uma enorme confusão. Ouvi o Sandro a dar instruções…
“-Vão buscar o vosso equipamento essencial e afastem-se desta zona, todos juntos, RÁPIDO!”
Passado cerca de 15 minutos paramos, estávamos longe do nosso pequeno acampamento e já não se ouvia explosões.
“-PORRA!” Gritou o Sandro a esmurrar uma árvore. Estava mesmo chateado, nunca o tinha visto assim. Percebi o que se passava ao olhar para a minha equipa.
“-O Nuno…?” Questionei.
“-Levou com um tiro de morteiro.” Respondeu o Lopes com um tom baixo…
Fez-se silêncio durante algum tempo. Ainda não conseguia acreditar, ainda há pouco tempo estávamos com ele, a ouvir as historias engraçadas de como acabava mal os seus encontros amorosos... Era demasiado penoso pensar nos que partem, de como aquela pessoa que conhecíamos, aquela pessoa que existia, tudo o que afectava em seu redor... desaparecia...
Ficamos naquele local até o sol aparecer, não podíamos fazer mais nada…
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