quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Capitulo 4 – A preservar momentos…




13 de Maio de 20xx


Adoro estes dias, o céu com um forte tom azulado com algumas nuvens a destacarem-se, o sol a brilhar, … Estava mesmo perfeito…
Estava numa pequena montanha não muito distante da base, e menos distante ainda do casalinho. Argh, detestava estar ao pé deles, ficava sempre embaraçado, mas quiseram dar uma boleia, daí que aproveitei… Bem, também daqui apenas os oiço, e mal, o que já não é mau! Há uma semana que tínhamos voltado da ultima missão e estava tudo calmo, não havia sinais do inimigo, mas não posso queixar-me, a meio da semana comecei a especializar-me com a sniper, depois de contar o que se passou naquela casa ao Andrade ele deu uma forte gargalhada, ficando até com a cara vermelha e com lágrimas nos olhos e então decidiu ajudar-me nessa área. Deu algumas dicas importantes que ajudaram imenso, melhorei muito em apenas 6 dias, o que não era difícil, tendo em conta a minha má prestação, e hoje era para treinar mais um pouco, mas quis repousar e aproveitar o bom tempo.
Passado algum tempo voltei a pé para a base, não queria incomodar a Sofia e o Sandro e fazia-me falta dar um passeio, quando cheguei à base o Nuno veio ter comigo.
“-Ei, o pessoal mais logo vai reunir-se para uma partida amigável de futebol, nós contra os rapazes do 1 batalhão de infantaria, que achas?”
“-Achas que eu alguma vez iria dizer não a uma partida de futebol?” Respondi com um sorriso
“-Ok, falta agora avisar o Sandro!”
“-Depois aviso, não te preocupes.”
Agradeceu e afastou-se. Que poderia dizer sobre o Nuno? Era um sujeito muito competitivo e teimoso, mas um bom amigo e sempre leal aos seus.
Mais tarde tivemos a jogar e quase que ganhávamos a partida, tendo os adversários empatado o jogo nos últimos minutos, mas foi um bom jogo, estavam todos de bom humor. São estes momentos que nos fazem aguentar na frente, no combate, a esquecer os “fantasmas” dos nossos camaradas que, de certo modo, nos perseguem...
Mais tarde, quando voltava ao quarto, encontrei o Sandro a tocar guitarra, mal como sempre, pelo que não resisti e disse:
“-Deverias levar a guitarra contigo para as missões, conseguirias levar mais adversários ao suicídio do que matar com a tua arma actual.”
Ele parou de tocar e fez-me um gesto obsceno com a mão e voltou a praticar...
Este evento fez-me ponderar se não deveria arranjar também um hobbie, criar algo em vez de só destruir... bem, vendo bem, se calhar era melhor assim, o Sandro não criava musica, arruinava-a completamente, eheh...

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